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Ordem dos Médicos vai fazer auditoria às unidades com capacidade formativa

19/11/2017 20:42

A Ordem dos Médicos vai avançar com uma auditoria a todas as unidades de saúde com potencial para formar médicos, para garantir uma melhor formação e menos médicos sem especialidade, disse hoje o bastonário.

Estamos em risco, neste momento, de não termos a capacidade suficiente para continuar a formar os médicos necessários com a qualidade que é devida. Esta é uma matéria urgente e uma matéria que merece e que vai merecer uma auditoria da parte da Ordem dos Médicos a todas as unidades de saúde que têm potenciais capacidades para formar médicos, afirmou o bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, que discursava durante uma cerimónia do Juramento de Hipócrates, em Coimbra.

Segundo o responsável, esta auditoria vai permitir identificar as deficiências e insuficiências do Serviço Nacional de Saúde, para que possam ser devidamente compensadas, quer em capital humano, equipamentos, materiais ou outros dispositivos.

Para Miguel Guimarães, a correção das falhas não se torna importante apenas para garantir uma melhoria da resposta à população, mas sobretudo para aumentar a capacidade que o país tem para formar médicos.

Não queremos em Portugal médicos indiferenciados, médicos sem especialidade, defendeu o bastonário, sublinhando que a presença de médicos sem especialidade no sistema, a curto e médio prazo, vai diminuir aquilo que é a qualidade global da medicina.

Durante o discurso, o responsável chamou ainda a atenção que, apesar de Portugal formar muitos médicos, muitos vão trabalhar para outros países, há cada vez mais profissionais a optar por trabalhar exclusivamente no setor privado e regista-se também um incremento de médicos a reformar-se de forma antecipada.

Formamos médicos em excesso relativamente às necessidades do país, mas, infelizmente, por várias razões, sobretudo pelo subfinanciamento crónico, o Serviço Nacional não está a contratar médicos, bem como outros profissionais do setor nos números que seriam necessários, notou.

Dirigindo-se para os novos médicos que prestam hoje o Juramento de Hipócrates, Miguel Guimarães criticou ainda a ausência do ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, considerando que o membro do executivo deveria ter estado na cerimónia, para acarinhar o futuro da medicina em Portugal.

O Serviço Nacional de Saúde sem os jovens médicos perde a capacidade de inovação, asseverou.

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