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Incêndios/Grécia: Especialista aponta semelhanças com fogos de Portugal em 2017

24/07/2018 17:17

O investigador na área da proteção Civil Duarte Caldeira disse hoje que “há muitas semelhanças” entre os incêndios na Grécia e os de Portugal em 2017, uma vez que “as vulnerabilidades” são parecidas nos países do sul da Europa.

“Há efetivamente muita semelhança porque as vulnerabilidades da Grécia são parecidas com as dos países do sul da Europa”, disse à agência Lusa o ex-presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses e da Escola Nacional de Bombeiros, a propósito dos fogos que lavraram na Grécia e já provocaram 74 mortos e 187 feridos.

Entre as vulnerabilidades, avançou Duarte Caldeira, estão as alterações climáticas, ausência de políticas de ordenamento do território, dificuldade das populações em lidar com situações desta gravidade devido à ausência de estratégias de autoproteção e debilidade dos dispositivos de aviso e alerta.

O também presidente do Centro de Estudos e Intervenção em Proteção Civil (CEIPC) e coordenador do curso em Emergência e Proteção Civil da Universidade Nova de Lisboa afirmou que, tal como aconteceu em Pedrógão Grande no ano passado, a população entrou em pânico e morreu ao fugir do fogo sem ter instrumentos de orientação.

Nesse sentido, o especialista defendeu a necessidade de se investir nos avisos e alertas às populações atempadamente, tendo em conta que, em muitas das situações, “não há força humana que consiga controlar” o incêndio, sendo, por isso, fundamental que as pessoas saibam o que devem fazer e como agir perante um cenário de risco.

No caso português, Duarte Caldeira destaca os projetos “Aldeia Segura” e “Pessoas Seguras”, mas considerou que “há todo um resto da população que não sabe como lidar com o risco de incêndio florestal”.

O investigador na área da proteção Civil defendeu também que os incêndios florestais têm de começar a ser tratados não como “um problema de um outro país”, mas “sim de uma região”.

Nesse sentido, sublinhou que o Mecanismo Europeu de Proteção Civil deve ser reforçado como “instrumento indispensável de resposta aos países da União Europeia”.

Duarte Caldeira considerou ainda que uma das debilidades do dispositivo de combate a incêndios identificadas há muito tempo na Grécia é a ausência de meios terrestres, tendo, em contrapartida, um grande número de meios aéreos.

Esta terá sido a razão para que a Grécia tenha pedido ao Mecanismo Europeu de Proteção Civil meios terrestres especializados.

Em resposta, Portugal já anunciou que vai enviar, entre hoje e quarta-feira, 50 elementos da Força Especial de Bombeiros (FEB).

Os incêndios que devastaram os arredores de Atenas provocaram pelo menos 74 mortos, número que ainda não é definitivo, já que cerca de uma centena de bombeiros continuam à procura de eventuais vítimas do fogo, que aconteceu numa zona balnear da costa este da Ática invadida pelas chamas na segunda-feira à tarde.

O Governo de Alexis Tsipras pediu ajuda internacional na noite de segunda-feira, tendo já alguns países respondido com meios de apoio, nomeadamente Portugal.